Quem?

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"Eu triste sou calada Eu brava sou estúpida Eu lúcida sou chata Eu gata sou esperta Eu cega sou vidente Eu carente sou insana Eu malandra sou fresca Eu seca sou vazia Eu fria sou distante Eu quente sou oleosa Eu prosa sou tantas Eu santa sou gelada Eu salgada sou crua Eu pura sou tentada Eu sentada sou alta Eu jovem sou donzela Eu bela sou fútil Eu útil sou boa Eu à toa sou tua."

13 de mai de 2012

Preferido de Lorenzo!



"Pode ser até do corpo se entregar mais tarde
parece simples mas a gente as vezes é o amor é lindo deixo
 tudo que quiser eu não me queixo em ser
acho normal ver o mundo feito faz o mar num grão de areia..."


Marcelo Camelo-Mais Tarde

3 de mai de 2012

Quando olho e não vejo.

"Precisei de morrer para te desejar, precisei de morrer para ver a cor do desejo, que é branca, branca e irreparável, como tu, como nós dois. Quando fazíamos amor, não era o tempo que parava. Nós é que estávamos mortos, infinitamente mortos, boiando um dentro do outro num azul sem céu nem gravidade.(…) Estou à tua espera num sítio onde as palavras já não magoam, não ferem, não sobram nem faltam. Esse sítio existe."




Inês Pedrosa

27 de mar de 2012

A minha benção que virá em setembro!


Quando entrar setembroE a boa nova andar nos camposQuero ver brotar o perdãoOnde a gente plantouJuntos outra vez
Já sonhamos juntosSemeando as canções no ventoQuero ver crescer nossa vozNo que falta sonhar
Já choramos muitoMuitos se perderam no caminhoMesmo assim não custa inventarUma nova cançãoQue venha nos trazerSol de primaveraAbre as janelas do meu peitoA lição sabemos de corSó nos resta aprender
Já choramos muitoMuitos se perderam no caminhoMesmo assim não custa inventarUma nova cançãoQue venha trazerSol de primaveraAbre as janelas do meu peitoA lição sabemos de corSó nos resta aprender 
beto guedes- Sol de primavera

13 de fev de 2012

Soneto da Fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento 
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto 
Que mesmo em face do maior encanto 
Dele se encante mais meu pensamento 

Quero vivê-lo em cada vão momento 
E em seu louvor hei de espalhar meu canto 
E rir meu riso e derramar meu pranto 
Ao seu pesar ou seu contentamento 

E assim quando mais tarde me procure 
Quem sabe a morte, angústia de quem vive 
Quem sabe a solidão, fim de quem ama 

Eu possa lhe dizer do amor (que tive): 
Que não seja imortal, posto que é chama 
Mas que seja infinito enquanto dure



Vinicius de Moraes

12 de fev de 2012

Resíduo.

De tudo ficou um pouco
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco

Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).

Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.

Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
- vazio - de cigarros, ficou um pouco.

Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.

Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.

Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?

Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.

De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil...
De tudo ficou um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver... de aspirina.
De tudo ficou um pouco.

E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.

Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.

Carlos Drummond de Andrade

1 de fev de 2012

Do outro lado da linha.

Cultivar um grande amor mesmo depois de separados, é uma forma de prisão das mais viciosas.
Não é porque você esqueceu ele, ou deixou de amar como antes que perde a validade do que foi vivido.
Você só entendeu que há pessoas que passam na sua vida somente por uma estação.
Entendeu que tudo na vida tem seu tempo de estar, parecer e permanecer.
Talvez aquilo que você chama de saudade é uma grande desculpa para não enfrentar seu presente.
Na verdade você tem medo de se relacionar novamente, sofrer igual ou pior( porque você já ligou relação a separação) que o anterior.
A morte é uma passagem não só pra quem vai, mas pra quem fica também. O luto é um renascer fora do comum.

a e i o u ÃO!

Decisão, Ilusão,Persuasão.
Nem todos os "ãos" podem t explicar algo que não convém ter resolução.
Não só no coração , mas na imaginação, dentro das próprias mãos,cheio de insatisfação.
No meio do vão, seu voltar e perdão.